‘Vitória do estado brasileiro’, diz Lewandowski sobre caso Marielle

O atual ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski deu uma entrevista coletiva para falar dos desdobramentos do caso Marielle , que resultou na prisão dos três mandantes do crime que aconteceu em 14 de março de 2014 contra a vereadora e o seu motorista Anderson Gomes. A operação declagrada na manhã deste domingo recebeu o nome de Murder inc.

“Temos bem claro quem são os mandantes”, disse Lewandowski quando foi perguntado por jornalistas sobre a indicação dos irmãos Brazão e o ex-diretor da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa sobre a certeza a respeito dessas autoridades serem os ‘autores intelectuais’ da execução.

Motivo do crime
Quando questionado sobre as motivações que levaram ao assassinato de Marielle, o ministro afirmou que a vereadora do Rio de Janeiro se tornou um alvo por contrariar interesses do crime organizado na grilagem de terras na zona oeste do Rio.

Apesar da relação entre a atuação da parlamentar e os interesses do grupo criminoso, o diretor-geral da Polícia Federal, delegado Andrei Rodrigues, afirmou que a motivação do crime também precisa ser “olhada em um contexto.”

“A gente não pode dizer, e isso estava nos relatórios, que houve um único e exclusivo fato. O que há são várias situações que envolvem a vereadora Marielle Franco, que levaram a esse grupo de oposição, envolve também a questão das milícias, disputas de territórios. Precisamos fazer essa análise olhando há seis anos. Havia um cenário e havia uma disputa”, afirmou.

Participação de Rivaldo Barbosa
A investigação aponta que os mandantes do crime foram o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) Domingos Brazão, e o deputado federal Chiquinho Brazão (União-RJ).

Junto com o ministro, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a relação entre o delegado Rivaldo Barbosa e os irmãos Brazão para interferência na investigação do caso Marielle já existia antes do crime e que ele agiu para proteger os irmãos.

“Pode ser dito que, antes do crime, havia uma relação indevida dele para desviar, o inquérito que apurou, o foco da investigação para os verdadeiros mandantes do crime”, disse Rodrigues.

“Modus operandi das mílicias”
Para o ministro Ricardo Lewandowski, o desfecho do caso ajuda a elucidar a atuação das milícias e traz uma “radiografia” do crime organizado.

“O que esse relatório policial e longas investigações revelam é o ‘modus operandi’ das milícias no Rio de Janeiro. São algo sofisticado, que se espalha por todo o estado e por várias atividades. Tenho impressão que a partir desse casos poderemos desvendar outros, ou seguir o fio de meado de novelos cuja dimensão ainda não temos clara. É uma radiografia de como operam as milícias e o crime organizado no Rio. E como há entrelaçamento com órgãos políticos e órgãos públicos”, afirmou.

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