Renda do agricultor familiar cresce 24% em oito anos pelo Programa de Aquisição de Alimentos

Um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e de instituições parceiras revelou que o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) tem sido eficaz na redução da insegurança alimentar e da pobreza rural no Brasil. A pesquisa destaca que o acesso ao programa do governo aumentou a renda bruta anual dos agricultores familiares, com um crescimento médio de 24% em oito anos.

Segundo os dados apresentados, o impacto do PAA foi ainda mais expressivo para os 10% mais pobres, que registraram um aumento de 45% na renda média nesse mesmo período. O programa, criado em 2003, tem o objetivo de promover a agricultura familiar por meio da compra de alimentos de produtores locais e sua distribuição para pessoas em situação de insegurança alimentar e entidades assistenciais.

O estudo utilizou dados da Declaração de Aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar entre 2009 e 2017, identificando mais de 43 mil unidades familiares que fornecem produtos para o PAA.

Os resultados indicam que o aumento na renda está diretamente associado à participação dos agricultores no programa, evidenciando um acréscimo médio de cerca de 7 mil reais anuais por família.

Além do aumento na renda, os pesquisadores observaram uma maior diversificação na quantidade e variedade de produtos comercializados, bem como uma redução na dependência de monoculturas. Isso sugere que o PAA tem contribuído para uma agricultura mais sustentável e diversificada.

Regina Helena Rosa Sambuichi, pesquisadora do Ipea e uma das autoras do estudo, ressaltou que o programa beneficia não apenas os agricultores, mas também as comunidades onde vivem, ao incentivar a produção de alimentos que, de outra forma, teriam menor demanda no mercado local.

“Com a garantia de venda daqueles produtos, os agricultores têm uma tranquilidade maior para produzir alimentos que, de outra forma, seriam mais difíceis de vender no próprio município. Isso possibilita que o agricultor não só produza, por exemplo, mandioca, abóbora, feijão ou milho para a própria alimentação, como também incentiva a criação de feiras livres para a população local”, afirma.

Apesar dos benefícios evidentes, Sambuichi alerta para os cortes recentes no orçamento do PAA, que podem limitar seu alcance e ameaçar sua estrutura de implementação. Essa redução, segundo a pesquisadora, representa um risco para o programa e para os milhares de agricultores familiares que dele dependem.

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