Nos bastidores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem dado sinais de que não está arrependido da declaração em que comparou as ações de defesa de Israel contra o grupo terrorista Hamas ao Holocausto. A frase fez com que o governo de Benjamin Netanyahu o declarasse como “persona non grata”. O chefe do Executivo tem dito aos seus interlocutores que a mensagem foi proposital e a ideia era encorajar outros chefes de Estado a se posicionarem diante da guerra, o que não deu resultado até o momento.

Lula tem defendido que em nenhum momento se referiu ao povo judeu e sim ao governo de Netanyahu, segundo fontes da RECORD. Por isso, não teria quebrado o “combinado” com o Ministério das Relações Exteriores, de ter todo cuidado com o assunto. Dessa forma, não há previsão de uma retratação pública até que o petista converse com o embaixador do Brasil em Israel, Frederico Meyer, que foi convocado de volta ao país para consultas.

Caso haja uma retratação, não será um pedido explícito de desculpas, mas sim um balizamento da declaração de Lula, argumentam integrantes do governo ouvidos pela reportagem da RECORD. O embaixador brasileiro volta para Brasília nesta terça-feira (20) e deve se reunir com o presidente até sexta-feira (23).

Há também uma expectativa do governo brasileiro com a posição dos Estados Unidos, que deve apresentar um pedido de cessar-fogo da guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas, no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). O Brasil espera que o país, aliado de Netanyahu no conflito, seja enfático no documento.

A medida ocorre ainda sob o contexto da reunião entre Lula e o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, marcada para quarta-feira (21). Ele, que é judeu e filho de mãe sobrevivente ao campo de concentração nazista, vai se reunir com o brasileiro e deve tratar do assunto. O país governado por Joe Biden é aliado de Israel.

Política externa prejudicada
Os gestos e as atitudes do presidente têm prejudicado o Brasil na área da política externa, avaliam especialistas consultados pelo R7. Os exemplos citados são as declarações sobre as ações de defesa de Israel, que o considerou “persona non grata”, do conflito entre Rússia e Ucrânia e a tentativa de relativizar o regime ditatorial de Nicolás Maduro na Venezuela.

“Cada vez que o presidente Lula viaja ao exterior, traz estragos e prejuízos em termos de política externa. E são episódios tristes para os brasileiros, que compõem tradicionalmente um povo pacífico, aberto e amigo com as demais nações. No caso de Israel, os gestos parecem fechar as portas aos israelenses e desrespeitam os judeus que em solo brasileiro estão. É uma tremenda ofensa”, avalia a professora de direito da Universidade de São Paulo (USP) Maristela Basso.

“Por outro lado, acirra também a polarização no país, uma vez que, aqueles que seguem o pensamento ideológico-partidário de Lula, se sentem autorizados à revanche antissemita. É extremamente prejudicial nas relações internacional e interna, porque serve de combustível para a eventual prática de crime”, acrescenta.

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