Um dos principais alvos da investigação sobre a suposta tentativa de golpe de Estado e isolado por militares, o general Walter Braga Netto, candidato a vice na chapa de Jair Bolsonaro (PL) em 2022, tem dito a interlocutores que suas mensagens, algumas delas usando palavras de baixo calão, eram apenas uma cobrança para que comandantes das Forças Armadas agissem e dessem uma resposta à pressão bolsonarista no fim do governo.

A explicação de Braga Netto, que foi ministro da Casa Civil e da Defesa, é que, na época da troca de mensagens reveladas pela investigação da Polícia Federal, ele não tinha cargo no governo e vinha sendo pressionado por militares da reserva e apoiadores sobre o fim do mandato de Bolsonaro.

Ou seja, não cabia a ele tomar uma decisão fosse ela qual fosse.

Ainda segundo a versão do ex-ministro, a cobrança dele era que para que comandantes do Exército, Marinha e Força Área Brasileira (FAB), e o então ministro da Defesa, general Paulo Sergio Nogueira, dessem uma resposta para finalmente concluir uma transição de governo tranquila.

Nessa conversas, o general costuma minimizar os xingamentos a outros militares, dizendo se tratar de uma linguagem comum entre integrantes das Forças Armadas.

Ao fim de 2022, os acampamentos na frente dos quartéis pediam uma intervenção que impedisse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), eleito em outubro, tomasse posse, e Bolsonaro ficasse no poder.

Em novembro daquele ano, ao sair do Palácio da Alvorada, Braga Netto disse a apoiadores: “Vocês não percam a fé, é só o que eu posso falar para vocês agora”.

De acordo com as investigações, em dezembro de 2022, Braga Netto em conversa com Ailton Barros, capitão reformado do Exército, critica o então comandante do Exército.

“Meu amigo, infelizmente tenho que dizer que a culpa pelo que está acontecendo e acontecerá e do Gen. Freire Gomes. Omissão e indecisão não cabem a um combatente”, escreveu Braga Netto.

Na sequência, Ailton Barros, referindo-se a Freire Gomes, responde: “Vamos oferecer a cabeça dele aos leões.” Braga Netto concorda e escreve mais uma vez: “Oferece a cabeça dele. Cagão”, diz o trecho destacado do relatório da PF.

Em outra mensagem, também de dezembro de 2022, Braga Netto envia mensagens para Ailton Barros orientando ataques ao então comandante da FAB, tenente-brigadeiro Baptista Junior, a quem adjetivou de “traidor da pátria”. O ex-ministro ainda determina que se faça elogio ao almirante de esquadra Almir Garnier, então comandante da Marinha.

Ainda segundo as investigações, Garnier teria concordado com um golpe de Estado e teria colocado suas tropas à disposição de Bolsonaro. Intimado a prestar depoimento, o ex-comandante da Marinha ficou em silêncio.

A revelação da troca de mensagens causa indignação em integrantes da cúpula das Forças Armadas, principalmente porque a conversa de Braga Netto se deu com Ailton Barros que foi expulso do Exército por abuso e desacato por decisão do Superior Tribunal Militar (STF), em 2006.

Após ser alvo de busca e apreensão na operação da Polícia Federal em 8 de fevereiro, Braga Netto perdeu o salário de cerca de R$ 40 mil no PL, onde tinha o cargo de secretário de Relações Institucionais.

Proibido de manter contato com o ex-presidente Bolsonaro, ele tem passado a maior tempo no Rio de Janeiro e se dedicado ao diretório estadual do partido.

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