Brasil bate recorde e registra três desastres naturais por dia em 2023, aponta Cemaden

O Brasil registrou o maior número de ocorrências em desastres naturais em 2023. De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), foram 1.161 registros, sendo 716 de origem hidrológica e 445 casos geológicos. A média foi de três desastres socioambientais como transbordamentos de rios e deslizamentos de terra por dia.

Os maiores desastres foram registrados em capitais e regiões metropolitanas localizadas na faixa leste do país. Além disso, o Cemaden emitiu 3.425 alertas, sendo 1.813 registros hidrológicos e 1.612 geohidrológicos. Esse foi o terceiro maior registro desde a criação do Centro, em 2011.

A maioria dos alertas emitidos foi no Vale do Taquari (RS), Vale do Itajaí (SC), Petrópolis (RJ), São Paulo (SP) e Manaus (AM).

Os desastres naturais foram responsáveis pela morte de 132 pessoas. Além disso, 9.263 ficaram feridas, 74.787 desabrigados e 524.863 desalojados.

Segundo o Cemaden, a temperatura média global em 2023 ficou 1.45 ºC acima dos níveis registrados na era pré-industrial (1850-1900). “As temperaturas mais quentes contribuem globalmente para a intensificação de chuvas e enxurradas, intensificação de ciclones extratropicais com potencial destrutivo, mortes e prejuízos econômicos”, explicou o órgão.

Brasil registrou 4.255 mortes em desastres ambientais nos últimos 20 anos
Nos últimos 20 anos, 4.255 pessoas morreram em razão de desastres ambientais no Brasil, e outras 8 milhões ficaram desabrigadas, segundo levantamento da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil.

Os dados englobam casos de chuvas intensas, estiagens, inundações e ondas de calor. Minas Gerais, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Rio de Janeiro e Distrito Federal se destacam entre as unidades da federação com mais pessoas afetadas.

Há dois anos, o Brasil registrou o maior número de mortes causadas por desastres naturais desde 2011, quando 957 óbitos foram registrados. Apenas em 2022, o país teve um prejuízo de mais de R$ 68 bilhões. Nesses 20 anos, o prejuízo chega a quase R$ 500 bilhões.

Os índices, que englobam o período de 2003 a 2022, foram fornecidos por um programa criado pelo Banco Mundial e pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Dados da Confederação Nacional de Municípios (CNM) apontam que nos últimos 10 anos, 93% dos municípios brasileiros foram atingidos por desastres naturais como tempestades, enxurradas, inundações e alagamentos. Os estudos, referentes aos anos de 2013 a 2022, indicam que mais de 2 milhões de moradias foram danificadas — 107 mil foram completamente destruídas.

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